A GNR deteve cinco homens, com idades entre os 18 e os 50 anos, numa investigação que decorria há cerca de seis meses e que abrangeu ocorrências nos distritos de Lisboa, Setúbal, Leiria, Beja e Santarém.
Segundo a Guarda, os suspeitos atuavam sobretudo em aldeias e localidades isoladas e recorriam ao arrombamento de imóveis para furtar dinheiro, peças em ouro e outros bens. A operação foi realizada nos concelhos de Lisboa e Odivelas.
Mais de 211 mil euros em ouro apreendidos
Durante a operação foram realizadas 16 buscas, seis domiciliárias e dez em veículos.
As autoridades apreenderam diversos objetos em ouro avaliados em 211.979,90 euros, além de 22.520 euros em dinheiro, 18 relógios de marca, sete viaturas, quatro telemóveis, duas armas de fogo, 59 munições e várias ferramentas alegadamente utilizadas em arrombamentos.
Os cinco homens foram detidos por suspeita dos crimes de roubo, associação criminosa, furto qualificado e posse ilegal de arma de fogo.
Uma mulher, de 52 anos, foi ainda constituída arguida por suspeita de colaboração na atividade criminosa.
A operação contou com a participação de 113 elementos das forças de segurança, incluindo elementos da PSP.
Dois roubos a ourivesarias no mesmo dia
O caso surge depois de outro episódio que envolveu diretamente estabelecimentos de ourivesaria.
A GNR localizou, em 27 de agosto, no Barreiro, uma viatura relacionada com dois roubos a estabelecimentos de ourivesaria ocorridos no dia anterior no distrito de Setúbal.
Segundo a Guarda, os assaltos terão sido cometidos por três indivíduos que circulavam numa viatura ligeira de passageiros. O veículo acabou por ser localizado no âmbito de uma ação de policiamento rodoviário.
A existência destes casos não significa, contudo, que todos estejam relacionados entre si. As investigações são distintas e não deve ser estabelecida uma ligação entre grupos sem confirmação das autoridades.
PSP alerta setor para criminalidade organizada
A preocupação com a segurança das ourivesarias também esteve em destaque na PortoJóia 2026, que decorreu entre 17 e 20 de setembro na Exponor.
Durante o evento, a PSP participou num ciclo de conferências dedicado à segurança no comércio de metais preciosos.
Entre os temas abordados esteve precisamente o “crime organizado itinerante no setor da ourivesaria em Portugal”, numa intervenção da Divisão de Investigação Criminal do Porto.
A PSP abordou ainda questões relacionadas com a segurança privada e o transporte de valores no setor.
Um problema que não se limita às lojas
Os casos investigados pelas autoridades mostram que a criminalidade relacionada com ouro não se limita necessariamente ao assalto direto a uma ourivesaria.
A investigação da GNR abrangeu roubos e furtos em habitações e anexos, com os suspeitos alegadamente a procurar dinheiro e peças em ouro.
Também foram registados recentemente casos diretamente relacionados com estabelecimentos comerciais. Em agosto, por exemplo, uma ourivesaria de Pombal foi assaltada por quatro indivíduos encapuzados, pelo menos um dos quais empunhava uma arma de cano longo. Não houve feridos.
Há uma onda de assaltos a ourivesarias?
Os vários casos recentes justificam atenção ao fenómeno, mas não permitem, por si só, afirmar que existe uma onda nacional de assaltos a ourivesarias.
O que está confirmado são diferentes investigações e ocorrências em várias regiões do país, algumas envolvendo ouro e outras diretamente estabelecimentos de ourivesaria.
A PSP e a GNR estão a acompanhar o fenómeno, enquanto o setor tem sido chamado a reforçar os procedimentos de segurança, nomeadamente no transporte e manuseamento de valores.
Para já, os números mais expressivos são os da operação da GNR: cinco detidos, cinco distritos abrangidos pela investigação e quase 212 mil euros em ouro apreendido.






