A campanha arranca nos próximos dias e as primeiras previsões apontam para um aumento da colheita face ao ano passado. Setor continua, contudo, pressionado pela falta de mão de obra e pelos custos de produção.

Trás-os-Montes prepara-se para iniciar mais uma campanha de apanha da azeitona com uma expectativa de recuperação da produção. As previsões apontam para um aumento de cerca de 15% na quantidade de fruto colhido face à campanha anterior, segundo o presidente da Associação de Agricultores de Portugal (APPITAD).

A campanha deverá arrancar nos próximos dias e os primeiros sinais deixados pelos olivais são considerados positivos, embora o resultado final continue dependente da evolução das condições meteorológicas e do rendimento obtido na transformação da azeitona em azeite.

O aumento esperado surge depois de uma campanha anterior marcada por maiores dificuldades em algumas zonas produtoras. Para os agricultores transmontanos, uma recuperação da quantidade de fruto poderá representar uma melhoria das condições de produção, mas não resolve todos os problemas que continuam a pesar sobre o setor.

Mais azeitona não significa necessariamente mais azeite

A quantidade de fruto colhido é apenas uma parte da equação. Para os produtores, um dos indicadores fundamentais é o rendimento da azeitona, ou seja, a quantidade de azeite obtida a partir de determinado volume de fruto.

Um rendimento mais elevado pode fazer com que um aumento de 15% na quantidade de azeitona resulte num crescimento ainda mais significativo da produção de azeite. Pelo contrário, se o fruto apresentar um rendimento inferior, a subida da colheita poderá ter um impacto mais limitado no produto final.

A qualidade da azeitona e as condições verificadas durante a maturação serão, por isso, determinantes para o balanço da campanha.

Falta de trabalhadores continua a ser problema

Apesar das perspetivas de maior produção, os agricultores continuam a enfrentar uma dificuldade que se repete todos os anos: a falta de mão de obra para a apanha.

A escassez de trabalhadores tem levado progressivamente os produtores a procurar soluções de mecanização, sobretudo nos olivais onde as características do terreno permitem utilizar máquinas. No olival tradicional, porém, essa possibilidade é mais limitada.

A questão é particularmente relevante em Trás-os-Montes, onde uma parte significativa da produção continua associada a olivais tradicionais. O setor tem alertado para os custos elevados da colheita e para o risco de perda de rentabilidade destas explorações.

Olival tradicional enfrenta maiores dificuldades

A região tem um peso importante na produção nacional de azeitona para azeite. Dados oficiais indicam que Trás-os-Montes representa cerca de 15% da produção nacional, com aproximadamente 77 mil hectares de olival, concentrados sobretudo na Terra Quente Transmontana e no Vale do Douro.

Grande parte desta área corresponde a sistemas tradicionais, com árvores antigas e terrenos onde a mecanização é mais difícil. É também nesta região que é produzido o Azeite de Trás-os-Montes DOP, uma das denominações de origem protegida do setor oleícola português.

As organizações do setor têm defendido apoios diferenciados para este tipo de olival, argumentando que os custos de produção são superiores aos dos sistemas intensivos e superintensivos e que a falta de rentabilidade pode incentivar o abandono das explorações.

Campanha começa com expectativas positivas

Para já, os produtores entram na nova campanha com uma perspetiva mais favorável relativamente à quantidade de fruto disponível.

A previsão de mais 15% de azeitona é, contudo, uma estimativa e o resultado final dependerá da evolução da colheita, do estado sanitário do fruto e do rendimento obtido nos lagares.

Depois de anos marcados por fortes oscilações na produção, o setor transmontano espera agora que a recuperação da colheita possa traduzir-se também numa melhoria da produção de azeite e no rendimento dos agricultores.

A apanha começa nos próximos dias. É no campo e nos lagares que se saberá se os 15% previstos se confirmam — e quanto desse aumento chegará, afinal, à garrafa de azeite.