Presidente chinês voltou a defender a reunificação com Taiwan e acusou forças externas de interferirem na questão. Declarações surgem poucos dias depois do encontro com Donald Trump.

Xi Jinping voltou a endurecer o discurso sobre Taiwan e garantiu que a China está determinada a combater as forças que defendem a independência da ilha e a rejeitar aquilo que Pequim considera ser ingerência estrangeira.

As declarações foram feitas esta quarta-feira, durante uma receção em Pequim que assinalou o 77.º aniversário da fundação da República Popular da China, na véspera do Dia Nacional chinês. O Presidente chinês reafirmou também que Pequim pretende avançar com a chamada “reunificação nacional”.

“Devemos aprofundar os intercâmbios e a cooperação entre as duas margens do estreito, reprimir firmemente as forças separatistas que defendem a independência de Taiwan e opor-nos à ingerência de forças externas”, afirmou Xi, segundo a agência estatal chinesa Xinhua.

Taiwan continua no centro da estratégia de Pequim

A China considera Taiwan parte do seu território, apesar de a ilha ser governada democraticamente de forma autónoma desde 1949. Pequim defende a reunificação e não exclui o recurso à força para atingir esse objetivo.

Xi voltou, contudo, a apresentar a “reunificação” como um processo que deve avançar através do desenvolvimento das relações entre as duas margens do estreito.

O Presidente chinês apelou ao aprofundamento do comércio e da cooperação e defendeu o “desenvolvimento pacífico” das relações entre a China continental e Taiwan.

Aviso surge dias depois de encontro com Trump

As novas declarações acontecem poucos dias depois do encontro entre Xi Jinping e Donald Trump na Casa Branca.

Durante a reunião de 24 de setembro, Xi pediu ao Presidente norte-americano que tratasse a questão de Taiwan “com cautela” e que mantivesse uma posição de oposição à independência da ilha, segundo a versão divulgada por Pequim.

A questão assumiu particular importância nas relações entre Washington e Pequim. Taiwan é um dos principais pontos de tensão entre as duas potências, juntamente com questões económicas, tecnológicas e de segurança.

Após a reunião, Taiwan afirmou que a política norte-americana em relação à ilha não tinha sofrido alterações. Um responsável do Ministério dos Negócios Estrangeiros taiwanês afirmou que Washington tinha confirmado que a sua posição permanecia inalterada.

Pequim acusa exterior de alimentar tensão

No discurso desta quarta-feira, Xi voltou a colocar a oposição à independência de Taiwan lado a lado com a rejeição daquilo que descreve como interferência externa.

A posição chinesa tem como principal alvo os Estados Unidos, que mantêm relações não oficiais com Taiwan e são o principal fornecedor internacional de equipamento militar à ilha.

Washington não reconhece diplomaticamente Taiwan como Estado independente, mas mantém uma relação estreita com Taipei e uma política de apoio à capacidade de defesa da ilha.

Nos últimos anos, Pequim aumentou a pressão política e militar sobre Taiwan, enquanto o Governo taiwanês tem reforçado a cooperação com os Estados Unidos e outros parceiros internacionais.

Xi fala também de economia

Apesar do destaque dado a Taiwan, a intervenção de Xi teve também uma forte componente económica.

O Presidente chinês afirmou que a economia do país continua a demonstrar “resiliência e vitalidade” e pediu esforços para cumprir as metas estabelecidas para 2026.

Xi defendeu ainda a necessidade de garantir estabilidade num contexto internacional e interno que classificou como complexo e apelou à continuidade do crescimento económico e à melhoria das condições de vida da população.

O discurso acontece num momento de tentativa de estabilização das relações entre Washington e Pequim, depois de meses de fortes divergências comerciais. Apesar da aproximação entre Trump e Xi, Taiwan continua a ser uma das questões mais sensíveis entre as duas potências.