Exército norte-americano avalia disponibilidade de unidades médicas, de engenharia, logística e polícia militar para os próximos quatro meses. Documento não menciona Cuba, mas responsáveis norte-americanos dizem que o pedido está ligado ao planeamento militar para a ilha.

Os Estados Unidos estão a avaliar a disponibilidade de várias unidades do Exército que poderiam ficar sob o comando do U.S. Southern Command, numa nova indicação de que Washington mantém opções militares relacionadas com Cuba em estudo. A informação foi avançada pela CBS News, que teve acesso a uma comunicação interna do Exército norte-americano.

O documento pede aos comandos subordinados que avaliem se conseguem disponibilizar, nos próximos 90 a 120 dias, diferentes tipos de forças e meios, incluindo unidades de polícia militar, equipas médicas, engenharia e apoio logístico.

A comunicação, por si só, não menciona Cuba. No entanto, vários responsáveis norte-americanos disseram à CBS News, sob condição de anonimato, que o pedido está relacionado com o planeamento militar que Washington tem vindo a desenvolver em torno da ilha.

Não há, contudo, indicação de que tenham sido dadas ordens de mobilização ou de que uma operação militar tenha sido decidida pelo Presidente Donald Trump ou pelo Pentágono. O próprio Southern Command recusou comentar movimentos ou planos operacionais específicos.

“Não divulgamos detalhes nem comentamos movimentos operacionais ou possíveis calendários de mobilização”, afirmou um porta-voz do comando à CBS News, acrescentando que a estrutura militar avalia continuamente diferentes necessidades e cenários na sua área de responsabilidade.

Que forças estão a ser avaliadas?

Entre as unidades cuja disponibilidade está a ser analisada encontram-se um batalhão de apoio logístico, responsável por áreas como transporte, manutenção, combustível e abastecimento, e um batalhão de engenharia.

O Exército está também a procurar informação sobre a possibilidade de disponibilizar uma estrutura médica e uma unidade cirúrgica avançada, destinada a prestar cuidados de emergência e trauma junto das forças destacadas.

A lista inclui ainda uma brigada de polícia militar, que pode desempenhar funções de segurança, detenção e manutenção da ordem em determinadas operações.

O documento não especifica, contudo, quantos militares poderiam ser mobilizados, onde seriam colocados ou qual seria a missão concreta.

Planeamento militar não significa decisão de avançar

A nova informação surge depois de vários meses de crescente tensão entre Washington e Havana.

Em julho, a CBS News revelou que responsáveis do Pentágono tinham analisado diferentes opções para uma eventual ação militar contra Cuba, incluindo um cenário de assalto aéreo que poderia envolver milhares de militares. Os responsáveis citados na altura sublinharam que esse planeamento não significava que Trump ou o Departamento de Defesa tivessem decidido avançar com uma operação.

Em maio, a própria CBS tinha noticiado que a comunidade de informações norte-americana estava a estudar como Cuba poderia reagir perante uma eventual ação militar dos Estados Unidos. Esse trabalho incluía a análise das possíveis consequências de um conflito e das respostas que poderiam surgir depois de uma intervenção norte-americana.

A atual avaliação das unidades do Exército representa, portanto, mais um elemento num processo de planeamento que se prolonga há meses, mas não constitui, por si só, uma ordem para uma intervenção militar.

Pressão sobre Havana mantém-se

A preparação militar decorre paralelamente ao agravamento da pressão económica e diplomática de Washington sobre o Governo cubano.

A administração Trump tem aplicado novas sanções contra entidades e responsáveis cubanos e tem procurado limitar as fontes de financiamento associadas ao aparelho estatal e militar da ilha. Ao mesmo tempo, responsáveis norte-americanos têm defendido publicamente uma mudança política em Havana.

Washington tem, contudo, mantido também canais diplomáticos. Em maio, o diretor da CIA, John Ratcliffe, deslocou-se a Cuba para uma reunião com responsáveis cubanos, numa tentativa de transmitir uma proposta de maior cooperação económica e de segurança caso Havana aceitasse mudanças consideradas fundamentais pelos Estados Unidos.

A possibilidade de uma ação militar continua, assim, entre os cenários que estão a ser estudados pelos Estados Unidos. Mas, até ao momento, a existência destes planos não significa que tenha sido tomada uma decisão para lançar uma operação contra Cuba.